Operadoras podem acabar com ‘velocidade reduzida’ e cobrar mais dos usuários

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A cada dia que passa, o Brasil está se tornando um país cada vez mais conectado a Internet, principalmente com a chegada dos smartphones e tablets. Com o aumento desses aparelhos no mercado, obviamente os usuários querem ter a facilidade de utilizá-los onde estiverem, seja em casa, no trabalho ou em algum outro local público. Por isso, existem as ofertas de planos de internet para dispositivos móveis.

Atualmente o consumidor contrata uma franquia de dados com determinada velocidade que é reduzida ao atingir a quantidade máxima do pacote adquirido. Se o cliente quiser navegar com a mesma qualidade, paga um valor adicional para adquirir mais megabytes (MB). É a chamada “velocidade reduzida”. Contudo, no que depender das operadoras, isso está prestes a mudar, já que, assim como já ocorre em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, as empresas planejam adotar uma medida que irá remover essa opção dos planos de rede móvel.

Na prática, significa o seguinte: quem consumir toda a franquia do pacote de internet móvel terá a conexão cortada se não contratar uma nova leva de dados. De acordo com informações do jornal O Globo, a Vivo será a primeira operadora do país a implementar a novidade e já a partir do mês de novembro, usuários de planos pré-pagos da prestadora serão os primeiros atingidos pela mudança. Oi, TIM e Claro também devem lançar pacotes semelhantes em breve, quando os serviços afetarem também os clientes pós-pagos.

No caso da Vivo, um dos pacotes pré-pagos mais usados atualmente dá direito à franquia de 75 MB por semana, a um custo de R$ 6,90. Se o usuário consumir todos os dados antes do fim do prazo, então terá de pagar um adicional de R$ 2,99 por mais de 50 MB, com validade de até sete dias. Em nota, a operadora disse que está “trabalhando em ajustes sistêmicos e fará o anúncio sobre a mudança aos seus usuários com a antecedência necessária”.

Falando nisso, os clientes deverão ser avisados até 30 dias antes das alterações entrarem em vigor, inclusive esse que vos escreve já recebeu um SMS avisando sobre tal alteração nos planos de Internet móvel da Vivo. Uma estratégia mais do que necessária, já que cerca de 30% dos usuários pré-pagos no país acessam a internet do celular, com gasto médio de R$ 14 por mês.

O que as empresas querem com as mudanças?

Para especialistas, o objetivo das operadoras é elevar a receita com a internet móvel, que subiu até 30% no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2013. Além disso, as companhias querem seguir uma tendência mundial, que prioriza a qualidade de conexão em vez de preservar um plano com velocidades mais lentas.

Segundo Roberto Guenzburger, diretor de produtos da Oi, a velocidade reduzida vira uma experiência ruim e afeta a percepção de imagem das operadoras. “Estamos olhando essa tendência com atenção até porque, com a velocidade menor, o cliente não consegue navegar da forma que gosta, assistindo a vídeos, por exemplo. Com os smartphones, os aplicativos são atualizados automaticamente, e, sem saber, o cliente está consumindo dados”, destacou o executivo.

Roger Solé, diretor de marketing da TIM, também analisa a mudança como uma evolução da telefonia móvel no Brasil. “Hoje as pessoas consomem muito além de seu pacote de dados. É natural que, após essa etapa, quando não se tinha noção do consumo de dados, a cobrança fique mais clara. Estamos lançando um novo serviço que é a internet compartilhada, no qual o cliente poderá dividir seus dados com mais três números, sem taxa”, disse.

A Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel ainda não se pronunciou sobre o assunto, vamos aguardar os próximos meses para mais novidades a respeito dessas alterações nos planos de Internet móvel.

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