Primeiros passos do PlayStation 4 Pro: aprendendo a andar com tropeços

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O PlayStation 4, da Sony, é um sucesso inegável. Desde seu lançamento, o console conseguiu vender mais de 45 milhões de unidades mundialmente. Uma quantia respeitável, precisamos reconhecer. Seu principal concorrente, o Xbox One, da Microsoft, vendeu pouco menos de 25 milhões de unidades. A disparidade nas vendas das duas plataformas pode ser resultada da maneira como ambos os consoles foram anunciados. Quem assistiu a E3 de 2013 sabe que a Sony conseguiu cativar o público não apenas com um console potente como o concorrente, mas com uma estratégia de marketing esperta e sagaz. Como esquecer o anúncio de que o PS4 rodaria jogos seminovos (usados)? A maioria das contradições impostas pela Microsoft com seu Xbox One foi refutada pela Sony e seu PS4. O público veio à loucura, e para deixar tudo ainda melhor para a empresa nipônica, o Xbox One viria com um preço inicial de 100 dólares a mais, graças ao (hoje morto) Kinect incluso no pacote.

Todos sabemos que o nicho tecnológico evolui com muita rapidez. Não tem sido diferente no mundo dos games, e cada vez mais os avanços permitem a elaboração de novas opções de desenvolvimento dos jogos, sendo eles cada vez mais robustos e com qualidade altíssima. Um software de qualidade demanda um hardware de qualidade. E as demandas do hardware vão sempre aumentando. Quem joga no PC sabe que as variáveis para se montar uma máquina são muitas, e temos uma ramificação de configurações extremamente diversificada. Não existe um padrão no mundo dos PCs.

Com o lançamento do PS4 Pro (antes conhecido como PS4 Neo), a Sony busca alcançar os jogadores mais exigentes por hardware. Falando em termos mais simples, o novo modelo do PS4 tem o dobro de potência do modelo comum. O poder da versão Pro vem com a promessa de oferecer imagem renderizada na resolução 4K (nativa ou escalonada); suporte ao HDR (High Dynamic Range, uma técnica nova de renderização de cores mais fiéis e reais), maior fidelidade gráfica, bem como melhorias em outros aspectos cosméticos. maior fluidez na taxa de frames por segundo dos jogos; bem como outras melhorias que serão possíveis com o hardware mais potente.

Não será necessário ter um aparelho de TV com resolução 4K para aproveitar as melhorias proporcionadas pelo poder extra do novo console. Produtoras como Guerrilla Games e Respawn (do vindouro Horizon Zero Dawn e Titanfall 2, respectivamente) já garantiram que os usuários do PS4 Pro em TVs com resolução máxima de 1080p terão melhorias nos quesitos visuais e técnicos. É claro que as melhorias mais gritantes ficarão para os donos de TVs 4K, mas é bom saber que há uma noção de que nem todos os gamers podem se dar ao luxo de comprar duas novas tecnologias ao mesmo tempo. Aqui no Brasil, TVs com resolução 4K têm preços altíssimos, com preços iniciais variando entre R$2000,00 e R$2300,00. É muito caro, considerando que o console também tem preços nesta faixa.

Conforme análises do novo hardware foram surgindo na internet, percebe-se que há uma inconstante nas melhorias de jogos que receberão o suporte ao PS4 Pro. A tendência é que os jogos lançados a partir da data de lançamento do console já venham com tal suporte, mas jogos lançados anteriormente podem receber atualizações com melhorias voltadas para o novo console. Tudo depende das produtoras e de como elas vão encarar esse poder extra. Aqui está um dos pontos mais delicados do novo console: a dependência das produtoras e a inconstante forma de se implantar melhorias. Citando dois exemplos: The Last of Us, da Naughty Dog, recebeu uma atualização que oferece suporte ao HDR e à resolução 4K. Infelizmente o game não oferece uma seleção de resolução, renderizando em 4K mesmo em televisores 1080p, fazendo uma espécie de reversão artificial para se encaixar na resolução máxima do aparelho. Isso provocou algumas quedas de performance, principalmente na fluidez do jogo. Já Rise of the Tomb Raider, da Crystal Dynamics, traz três opções distintas para os jogadores escolherem. A primeira opção trava a taxa de atualização do game em 30 FPS em resolução 4K; a segunda tem taxa de atualização livre, que mira os 60 FPS para maior fluidez em 1080p; e a terceira e última traz todas as melhorias gráficas possíveis em uma resolução de 1080p e em uma taxa de atualização de 30 FPS. Enquanto um jogo simplesmente define como irá rodar por conta própria, o outro oferece ao jogador três opções que se adaptam ao gosto dele. Pelo que se tem visto, outros jogos oferecem maneiras diferentes de serem rodados em consoles Pro, alguns nem mesmo tendo uma lista de melhorias para os jogadores se informarem. É quase como um tiro no escuro.

Outra questão foi levantada pelo canal Digital Foundry. Nos testes com o game Batman Arkham City da nova coletânea Return to Arkham, o game se mostrou muito mais fluido em algumas cenas em consoles Pro, e não há qualquer tipo de suporte confirmado ao novo console da Sony. O game simplesmente se mostrou melhor, possivelmente graças ao poderio extra. Isso já acontece com frequência no Xbox One S, que possui uma GPU em overclock, permitindo melhoras de performance em diversos jogos quando comparados no console S e no console comum. Creio que podemos definir que é um uso livre do poder extra da versão S, ou melhorias praticamente automáticas. O PS4 Pro não se mostra assim tão “livre” ou “automático”. Nos testes com Project Cars em consoles comum e Pro, o Digital Foundry percebeu que o game roda de maneira idêntica em ambos os consoles. Isto é, na minha opinião, um desperdício de poder e capacidade do novo hardware.

O PS4 Pro ainda está engatinhando. Muitos jogos ainda estão para sair e prometem um suporte interessante ao console. Fico com a esperança de que haja uma uniformidade nos suportes oferecidos, e que hajam melhorias realmente significativas para incentivarem o consumidor a adquirir este novo produto.

Um grande abraço e até o próximo texto.

Fontes/Para mais informações, acessem:

Digital Foundry

HDR – O que é?

Candyland

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