Review: Three Fourths Home Extended Edition

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Talvez Three Fourths Home seja o game mais singelo que eu tenha jogado em minha breve vida. Ainda assim, a simplicidade do game pode fazer com que outros jogadores, assim como eu, tenham vontade e curiosidade de terminá-lo. Claro que essa motivação é relativa. Por quê? Vamos descobrir mais abaixo.

Kelly e Nebraska

A história do game se passa no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos da América. Assumimos o papel da personagem Kelly, que precisa entrar em seu carro e voltar para casa, depois de passar muitas horas longe de lá. Ao entrarmos no carro, devemos dirigir (segurando a tecla –>) até chegarmos ao fim do game. E este é o conceito principal da história de Three Fourths Home. Mas você, leitor(a), pode vir a questionar: é apenas isso? Devemos dirigir até o final do jogo, e só? Quase isso, meu caro(a).

A mecânica o game é tão simplista que se resume a segurar um botão e conduzir o rumo dos diálogos entre Kelly e os outros personagens. Mas são justamente nos diálogos que encontramos o maior charme do game. Kelly deve dialogar com sua família, consistindo de seus pais e irmão. Cada resposta do jogador muda o rumo dos diálogos, e isso pode gerar mudanças no comportamento dos personagens, sendo estes implícitos nas falas de cada um.

Infelizmente, senti falta de algo no game: ele não possui dublagem, então a imersão depende muito da imaginação do jogador. Talvez a subjetividade do game fosse prejudicada pela dublagem, pois uma dublagem mal realizada poderia quebrar os sentimentos implícitos em alguns momentos dos diálogos. Mas ainda assim, com uma direção de dublagem bem realizada, poderia ser um acréscimo à imersão do jogo e, possivelmente, permitiria que deficientes visuais aproveitassem o game, por exemplo.

Adotando novas perspectivas

Three Fourths Home é um jogo que não deve ser jogado através de um olhar automático, rústico e sem vida. Se assim for feito, não é possível aproveitar sua história.

Por mais que não seja algo memorável, a história de Three Fourths Home nos mostra conflitos existentes na mente de uma mulher recém-formada na faculdade, ainda sem saber qual caminho seguir na vida. Em seus diálogos, podemos perceber que sua presença e sua ausência afetam toda sua família, tanto física quanto mentalmente. Os laços formados por entes queridos podem ser danificados, e complicados de serem recuperados. Kelly mostra bem isso, principalmente nos diálogos com seu irmão.

O que quero dizer com isso tudo é que a história de Kelly e sua família pode, em algum momento, remeter à nossas próprias histórias de vida. Claro que não totalmente, mas existem nuances que podem, sim, nos fazer olhar para dentro de nós mesmos, em busca de uma conexão, mesmo que mínima, com aquilo que lemos.

Three Fourths Home acaba pode ser uma experiência singela, mas profunda. Tudo depende da subjetividade do jogador e seu interesse com a história que lhe está sendo contada.

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