Review: Uncharted The Nathan Drake Collection

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Há muito tempo já se especulava o lançamento de uma coletânea da série Uncharted no PS4. Eis que outubro trouxe, finalmente, a trilogia principal completamente remasterizada para o console mais recente da Sony: Uncharted The Nathan Drake Collection traz Uncharted Drake’s Fortune (2007), Uncharted 2 Among Thieves (2009) e Uncharted 3 Drake’s Deception (2011) ao PS4. Sem mais delongas, vamos à análise.

O nome é Drake, Nathan Drake

A franquia Uncharted tem como seu protagonista Nathan Drake, um larápio bom de lábia que realiza trabalhos diversos de furtos pelo mundo, buscando fundos para sobreviver e pagar eventuais dívidas que cria. Tudo o que aprendeu, inclusive a habilidade em fazer dívidas, foi com Víctor Sullivan, seu amigo e mentor na arte dos furtos. Aficionado por peças históricas e objetos antigos, Drake tem como característica um exímio “arqueólogo”, ou algo bem próximo disso. Trazendo uma escala de importância maior para o protagonista, esse interesse por objetos muitas vezes místicos acaba colocando o ladrão como possível salvador da civilização humana.

É possível perceber nuances místicas em todos os três games da série Uncharted presentes na coletânea, mesmo que sejam detalhes leves. Desde experimentos zumbificados/mumificados, até criaturas mitológicas, como o abominável homem das neves. Nada chega a ser absurdo, pois os enredos dos três games se baseiam em fatos e pessoas, dando credibilidade ao que é contado, e não forçando a licença poética tomada pela produtora para contar suas histórias.

Encontramos diversos personagens durante a trilogia além de Drake e Sullivan. A repórter Elena, interesse amoroso primário de Drake e perita em entrar e escapar de furadas, assim como parceira fiel do protagonista (o relacionamento de ambos desenvolve de maneira interessante desde os primeiros minutos de Drake’s Fortune); Chloe, interesse amoroso secundário de Drake, larápia nata e especialista em chutar traseiros alheios. Citando os vilões, nenhum chega a ser exatamente marcante, sendo Zoran Lazarevic, o antagonista do segundo game, o mais próximo de ter um carisma que chama a atenção.

A força do elenco de Uncharted, nos três games, é demonstrada mesmo pelos personagens que estão “do lado do bem”. É inegável que Drake cativa o jogador, graças ao trabalho brilhante de dublagem realizado pelo ator Nolan North. Guardado às devidas proporções, Drake é uma mistura de Indiana Jhones com Rick O’Connell, da franquia A Múmia, tendo um senso de aventura e um bom humor de comediante típicos dos personagens supracitados.

De tirar o fôlego

Não é segredo para ninguém que as aventuras de Drake ma trilogia Uncharted são absurdamente estonteantes. São muitos momentos de ação desenfreada e acontecimentos megalomaníacos, como o trem descarrilando em Uncharted 2, ou o avião que se parte ao meio em Uncharted 3. Quando foi lançado, em 2007, o primeiro game da franquia trouxe ao público a noção de que ele se inspirava nos games da série Tomb Raider.

Uncharted_ The Nathan Drake Collection™

O que muitos pensaram ser apenas uma “Lara Croft de cuecas”, se mostrou um produto com uma identidade própria. A exploração e a resolução de quebra-cabeças, típicos elementos de Tomb Raider, estão sim presentes na série Uncharted, mas em uma escala muito menor. O foco de Uncharted se encontra em seus tiroteios e em seus momentos de ação intensa, daqueles que fazem o jogador sentir um frio na espinha enquanto conduzem Drake para fora de um navio que está afundando, pois eles veem a água “caçando” o protagonista. Momentos grandiosos que caracterizam muito bem a série, dando uma identidade totalmente diferente de Tomb Raider e sua Lara.

As novidades da versão remasterizada

Uncharted The Nathan Drake Collection trouxe uma repaginada em seu visual. Com novas texturas de cenários, objetos e modelos de personagens, bem como melhorias nos efeitos de luz e sombras, a coletânea permite os jogadores desfrutarem as aventuras de Drake em uma linda resolução de 1080p, rodando a 60 quadros por segundo. É vistoso aos olhos dos mais atentos, principalmente no que diz respeito à suavidade dos movimentos de câmera.

Não existem mais “quebras de imagem” (screen tearing), que ocorriam principalmente no primeiro game da série no PS3 devido a uma taxa de quadros por segundo instável, assim como não há mais atrasos de renderização de texturas nos cenários.

Uncharted_ The Nathan Drake Collection™

Além das melhorias técnicas, Uncharted Collection traz dois novos modos de dificuldade, um mais fácil e um extremamente mais difícil, assim como um novo modo de “corrida de tempo”, cujo objetivo é terminar os capítulos dos games no menor tempo possível. Seria algo como o conhecido Time Trial.

A coletânea também traz todas as DLCs disponibilizadas para os três games em suas versões de PS3, contendo diversos conteúdos que modificam os aspectos visuais do game, como novos filtros de renderização (estes não provêm de DLCs), “cheats” e skins de personagens. Perfumarias, é verdade, mas que agregam valor e variedade ao pacote.

Aparentemente oscilante

Quem jogou os três games em suas versões originais terá uma base maior de comparação nas melhorias gráficas apresentadas na remasterização. Uncharted 1, por ter sido lançado em 2007, é o game que mais chama atenção. É possível perceber melhorias drásticas, principalmente nas texturas e modelos dos personagens.

Em Uncharted 2, é possível perceber melhorias mais leves, porém, ainda visíveis para quem jogou o game original de 2009. Destaque para o nível de detalhes e elementos presentes nos cenários.

Uncharted_ The Nathan Drake Collection™

Já em Uncharted 3, as coisas não parecem ter mudado muito. Antes de continuar este parágrafo, entendam: o que direi aqui é baseado no que meus olhos viram. Para mim, a maior melhoria fica por conta dos efeitos de luz e sombras. Algumas texturas foram aprimoradas, mas nada chega a ser impactante como nos games anteriores. Uma das possíveis explicações para isso pode ser o fato de Uncharted 3 ter sido lançado em 2011, quase no fim do ciclo do PS3. À época, o hardware do console já estava em seu limite, principalmente nos títulos exclusivos, como é o caso deste. A modelagem dos personagens parece ter sido deixada um pouco de lado também, algo que se percebe principalmente nas cutscenes.

De um modo geral, o trabalho realizado pela Bluepoint Games é maravilhoso, ainda que não seja perfeito. Mas se comparado a outras remasterizações, esta aqui se encontra anos-luz à frente de outras.

Uncharted_ The Nathan Drake Collection™

Vai Brasil!

Para selar o lançamento de Uncharted The Nathan Drake Collection com chave de ouro no Brasil, a Sony decidiu dublar os dois primeiros games da série (o terceiro já havia sido dublado, ainda em 2011).
Sendo bem sincero e utilizando em linguagem popular: queimei minha língua. Critiquei a dublagem ao jogar a versão de demonstração, disponível na PlayStation Network (PSN), mas ao ter o produto completo em mãos, percebi que o trabalho realizado foi acima da média. Me diverti e ri em diversos momentos dos dois primeiros games, com o dublador brasileiro, do qual desconheço o nome, mantendo o carisma de Drake. Não tem a mesma qualidade de Nolan North, mas não deixa a desejar.

Uncharted_ The Nathan Drake Collection™

Se por um lado a dublagem de Uncharted 1 e Uncharted 2 é boa, não se pode dizer o mesmo de Uncharted 3. Mesmo contando com o mesmo elenco de dublagem, é possível perceber atuações fracas e pouco convincentes, sendo que as vozes, em alguns momentos, parecem forçadas. Ao meu entendimento, a Sony utilizou a dublagem brasileira original de 2011 na versão remasterizada de Uncharted 3. Isso acabou criando uma diferença na qualidade do trabalho, dividindo a dublagem em uma parte boa (Uncharted 1 e 2) e uma parte ruim (Uncharted 3). Ademais, são quatro anos de diferença entre a realização da dublagem dos dois primeiros jogos, feita em 2015, para a do terceiro, feita em 2011. Isso criou em mim a impressão de que Drake, por exemplo, tem a voz mais fina no terceiro game do que nos outros dois. É estranho, visto que não estamos jogando um prelúdio.

Que venha Uncharted 4

A estratégia da Sony é bem clara. Com o lançamento de Uncharted 4 se aproximando, nada melhor para ela do que preparar os fãs com a trilogia principal, totalmente repaginada e preparada especialmente para deixar os jogadores com água na boca. Não é um produto perfeito, mas com certeza oferece muitas horas de jogatina de qualidade, e é um preparativo essencial para quem deseja mergulhar em Uncharted 4.

Nota: os modos multiplayer presentes nas versões originais de Uncharted 2 e Uncharted 3 não estão presentes na coletânea. Visto que o foco da série é em sua narrativa e história, não retirei pontos pela falta de tais modos, ainda que a adição dos mesmos fosse deveras interessante.

Título: Uncharted The Nathan Drake Collection
Gênero: Ação, Aventura
Desenvolvedora: Naughty Dog/BluePoint Games (remasterização)
Distribuidora: Sony
Plataformas: PS4

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