Review: Batman Arkham Knight

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A espera foi longa, principalmente sabendo que o final da trilogia do Homem-Morcego deveria ter saído ao final de 2014, mas os seis meses de atraso fizeram com que a Rocksteady nos entregasse a melhor experiência já produzida em um game do Senhor Wayne.

Uma história digna de ser lembrada

Arkham Knight é o terceiro capítulo que fecha a trilogia iniciada por Arkham Asylum, lá em 2008. O Espantalho está de volta, e desta vez seus planos vão além do que qualquer coisa que ele havia feito no Asilo Arkham. O Espantalho convoca todos os super-vilões e inimigos de Batman contra ele, afirmando ter um plano para destruir o Morcego e tomar Gotham City para eles, tudo isso através de sua mais nova toxina do medo. Malditos como Pinguim e Duas-Caras se juntam ao Espantalho, cada um realizando os crimes que sabem realizar melhor. Outros vilões também entram para o “time”, mas citá-los aqui seria dar spoilers, e definitivamente não quero atrapalhar a experiência de ninguém com o gane.

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Se não bastassem todos os seus antigos inimigos, uma nova ameaça surge para encarar Batman frente a frente: o Cavaleiro Arkham, um mascarado líder de uma milícia que domina Gotham City com seus soldados. Este Cavaleiro é um dos inimigos mais incríveis, pois ele não apenas confronta Batman psicologicamente, como jamais recua de seu objetivo: matar o Cavaleiro das Trevas.

A história se desenvolve de forma esplendorosa, com acontecimentos que fazem cair o queixo do jogador. A relação de Batman com seus inimigos sempre foi algo primoroso na série Arkham, e isso se repete em Arkham Knight, principalmente com o novato Cavaleiro Arkham. Mas mais do que lidar com seus inimigos, Batman trava um conflito consigo mesmo. Sabendo que a cidade de Gotham corre imenso perigo, seu código de conduta se mostra em cheque: ele deve ou não matar seus inimigos? A prisão pode realmente ser a solução e a proteção ideal para Gotham? E assim temos um Cavaleiro das Trevas na linha tênue entre sanidade e loucura.

Mas nem tudo se resume a ruínas para Batman. Seus aliados estão sempre prontos para ajudar. Alfred é a figura mais constante na história se preocupando sempre com as ações de Bruce Wayne, mas ele ainda conta com a Oráculo e sua exímia habilidade com computadores, Lucius Fox e suas tecnologias de combate. Robin, o Menino Prodígio, e Asa Noturna também estão lá para cooperar. Cada personagens destes tem papel fundamental na história, pois cada um deles afetam Batman de uma maneira. Coadjuvantes que apenas enriquecem a história.

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Melhorando o que já era espetacular

Free Flow Combat, ou Combate em Fluxo. Esse é o estilo de jogabilidade de combate corporal adotado pela série Arkham. E o que já era ótimo, ficou ainda melhor neste capítulo. Batman pode “descer o sacode” nos bandidos sem misericórdia, emendando golpes apenas com a troca de direção. Contra-ataques precisos ajudam a manter a luta contínua, permitindo que o jogador sinta que Batman é realmente um mestre no combate corporal. Há também a possibilidade de utilizar os gadgets de Batman durante os combates, como os Batarangs e o Gel Explosivo, que ajudam a atordoar e “controlar multidões”.

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Novas mecânicas foram adicionadas, como o contra-ataque de lançamento, que permite que Batman arremesse aquele que o está atacando, derrubando outros no caminho. Na parte furtiva, temos a adição do incrível “Fear Multi-Takedown”. Ao se aproximar de inimigos distraídos, Batman pode iniciar um ataque em cadeia que derruba os inimigos com apenas um golpe. Essa habilidade, como todas as outras, pode ser melhorada para que o Morcego atinja mais inimigos.

O dual-play foi a opção escolhida pela produtora para substituir o modo multiplayer. Convenhamos, nem todos os jogos necessitam ter um modo multiplayer, e Batman é um game para se jogar sozinho. O dual-play introduz um sistema de combate em que o jogador pode trocar de personagem durante os momentos em que o sistema está ativo. por exemplo: se Batman luta ao lado de Asa Noturna, é possível controlá-lo com o pressionar de apenas um botão. A inteligência artificial assume o controle de Batman enquanto o jogador derrota os inimigos com Asa. É incrível, e funciona muito bem.

Mas a maior novidade de Arkham Knight fica por conta do Batmóvel. Havia um certo receio por conta da implementação do veículo dentro do jogo, mas a Rocksteady fez com que a utilização da mais poderosa arma de Batman fosse algo muito bem contextualizado. Gotham City está aberta para exploração, e é possível perambular tanto a pé, utilizando o gancho para se locomover mais rapidamente e planar com a capa do Morcego, ou com o Batmóvel. A escolha é do jogador. É claro que existem momentos em que o uso do Batmóvel é obrigatório, mas o jogador com certeza irá entender o contexto que o jogo lhe entrega para tal obrigatoriedade. Para ajudar, digo: o Cavaleiro Arkham tem exército à sua disposição. Entendem?

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O Batmóvel possui duas funções, sendo uma como um carro super veloz, para locomoção e perseguição, e o modo de batalha, em que o carro se transforma em uma espécie de tanque de guerra super ágil. Quem jogou games da série Transformers, mais precisamente os excelentes War for Cybertron e Fall of Cybertron, entenderá perfeitamente o conceito de batalha utilizado pela Rocksteady. Mas caso você, leitor, não tenha entendido, fique tranquilo. Controlar o Batmóvel é uma experiência incrível, que apenas completa a diversão oferecida pelo jogo.

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Tecnicamente impecável

Visualmente falando, estamos diante do mais belo jogo de super-heróis já produzido. A armadura de Batman é maravilhosa, reluzindo ao brilho das luzes ao redor do herói. Cada parte que compõe o personagem possui seus próprios detalhes, e isso é muito perceptível durante a sequência em que Batman veste seu novo manto negro. O Batmóvel também é lindo, e tem sua presença fortalecida pelo belo trabalho realizado em sua concepção. Talvez seja um Batmóvel mais puxado para a trilogia de Christopher Nolan, tendo seu design muito parecido com o que vimos nos filmes. Mas ainda assim há uma identidade própria para o veículo em Arkham Knight.

Gotham City está linda, com suas construções bem detalhadas e agradáveis de se ver. Os fãs que acompanham Batman dos quadrinhos terão satisfação ainda maior ao visitar localidades que, se me permitem dizer, são cartões-postais de Gotham City.

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A parte sonora também é outro quesito louvável. Nick Arundel está por trás das músicas do game, com temas orquestrados que combinam muito bem com a aventura soturna. É uma trilha sonora um tanto quanto misteriosa e grandiosa, que combina muito com a “lenda” do Cavaleiro das Trevas.

Por não ter jogado o game em português brasileiro, vou me eximir de comentar sobre a dublagem realizada pela Warner Bros. Não me acho no direito de falar sobre algo que não experimentei. Quanto à dublagem original, em inglês, só há uma coisa a dizer: primorosa.

O fim é começo de tudo

Batman Arkham Knight cumpriu com as minhas expectativas, e possivelmente cumprirá com as expectativas daqueles que acompanham a saga desde seu primeiro capítulo. Claro que fãs se deliciarão ainda mais com o jogo, principalmente com referências à momentos clássicos dos quadrinhos e easter-eggs divertidos de se encontrar e presenciar. Mas Arkham Knight não é um produto apenas para fãs. É um jogo de ação e aventura sólido, competente, com uma história rica, cativante e fascinante.

Por ser uma franquia de sucesso, acredito que Arkham Knight seja o último da série titulada “Arkham”. Mas essa dificilmente será a última aparição de Batman nos games. Espero que a própria Rocksteady possa nos presentear com novas histórias do Cavaleiro das Trevas. Mas até que isso ocorra, vou reiniciar minha aventura por Gotham City. Pois, assim como Batman disse: esta vai ser uma longa noite.

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