Review: Mortal Kombat X

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Mortal Kombat X vem para dar novo gás à série, que ganhou seu ótimo reboot em 2011 com Mortal Kombat (também chamado de MK9). E ele consegue se sair ainda melhor que o anterior, trazendo visuais mais belo, jogabilidade renovada e o modo história que deveria ser aplicado na maioria dos jogos de luta. Porque sim, um jogo de luta pode e deve ter história.

Sangue novo

Uma das principais vantagens da série Mortal Kombat é que ela sempre tenta trazer novos personagens para o jogador poder experimentar. Isso traz uma variação muito grande, tornando cada game único. Com MK X não foi diferente. Dando seguimento à história de MK 9, devemos agora impedir que o deus Shinok tome para si o domínio do Plano Terreno, da Exoterra e dos outros mundos.

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Já não existe mais o Torneio Mortal Kombat. Shao Kahn quebrou as regras no último jogo, e agora cabe aos antigos representantes defenderem seus mundos em uma luta sem regras, sem piedade e misericórdia. A história consegue se desenvolver a partir de diversas perspectivas, com cada capítulo sendo contado a partir de nossa jogatina com um personagem diferente. Isso permite que conheçamos o passado de alguns deles, como Takeda Takahashi e Kung Jin, novos integrantes da série.

Falando em personagens, novos rostos aparecem em meio às figurinhas carimbadas da série. Cassie Cage, sargento das Forças Especiais e filha de Johnny Cage e Sonya Blade; Jacquie Briggs, filha de Jax Briggs; Kung Jin, descendente direto de Kung Lao; Takeda Takahashi, filho de Kenshi e treinado por Scorpion (Hanzo Hasashi). Citando estes em particular, os quatro formam um grupo especial sob o comando de Johnny Cage. A história sempre passa pelos quatro personagens, mostrando a importância que cada um tem na definição do destino de todos os mundos. É interessante que isso aconteça, pois demonstra que a produtora Netherrealm sabe que é preciso introduzi-los de forma impactante ao público. E definitivamente ela consegue.

Sobre os personagens, é importante citar também que a Netherrealm diminuiu muito o visual sexualizado das personagens femininas do game. Claro que elas ainda possuem um certo sex appeal, mas não é exagerado como em Mortal Kombat 9. Isso mostra que a produtora se importa com a opinião das jogadoras de Mortal Kombat, além de entender que não é preciso deixar uma personagem seminua ou completamente nua para que o game tenha diversão.

Combates frenéticos e mais balanceados

No que diz respeito à jogabilidade, MK X trouxe algumas mudanças sutis em relação ao anterior, mas que são significativas para a variedade do game e os desafios entre oponentes.

A principal novidade fica por conta do sistema de variações de estilo. Cada combatente tem três estilos particulares, e cada um deles oferece golpes especiais e combos diferentes. Ou seja, dominar um personagem por completo exigirá dominar seus três estilos de luta. Dessa forma, além do desafio maior de se dominar um lutador, temos também a chance de nos depararmos com estilos que nunca lutamos contra. Golpes novos acertando nossas caras, sem sabermos ainda como nos defendermos ou contra-atacarmos. De certa forma, é um balanceamento interessante para os combates.

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Outro ponto que eu gostaria de mencionar é a adição de uma barra de fôlego, que fica abaixo da barra de sangue. Quem joga games de luta sabe que dar dois toques para trás ou para frente nos permite afastar ou aproximar do oponente com mais rapidez. Seria o chamado “quickstep”. Porém, em MK X, esse tipo de movimentação é realizado gastando a barra de fôlego. Se ela acabar, o jogador não terá outra escolha a não ser encarar seu oponente de frente. É claro que ela enche sozinha durante a luta. Mas são os poucos segundos em que ela fica vazia que podemos ter uma vantagem sobre um oponente, ou que eles tomem a vantagem contra nós.

Violento como sempre

A violência exagerada é marca registrada da série Mortal Kombat. Sangue encobrindo os personagens, vísceras voando, corações sendo estourados com a palma da mão, cabeças sendo cortadas ao meio. Tem de tudo em MK. Neste novo game não é diferente, e os belos gráficos ajudam a deixar as coisas ainda mais grotescas.

Os movimentos de raio x retornam com tudo, e é possível sentir a dor dos personagens quando são atingidos por um chute na cabeça enquanto estão deitados no chão, ou por inúmeros socos certeiros na região do abdome. Ossos quebrados, testículos esmagados, olhos furados. É coisa de louco.

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Os brutalities estão de volta, e conferem a chance de terminar uma luta com um movimento especial sanguinário. Sub Zero, por exemplo, pode explodir seu oponente congelando sua metade de cima e então atirando uma outra bola de gelo. Boom! E adeus inimigo. Ou pelo menos parte dele. Já os fatalities conseguem ter seu nível de sanguinolência elevados. Sério, ver Scorpion usando sua espada para cortar o rosto do oponente no meio, na vertical, para então vermos o oponente caído no chão com metade do cérebro para fora da cabeça, não é exatamente a coisa mais linda de se ver, mas pelo menos é divertido zoar a cara do perdedor.

Modalidades do torneio

Cada modo de jogo nos permite ganhar pontos para a facção que escolhemos no começo do game. Há um total de cinco facções, e ao escolhermos uma, podemos ganhar pontos e subir de nível dentro daquela facção, ajudando na reputação da mesma.

Além do modo história, temos disponível também as torres de desafios, podendo conter desafios gerados aleatoriamente no dia e na semana. Temos também a torre de desafio de sorte em que características e modificadores de luta entram em jogo para testar nossas habilidades. E temos as torres clássicas, em que nosso objetivo é simplesmente derrotar o oponente e fazer a melhor pontuação possível. Cada modo de jogo destes nos permite ganhar pontos para a facção que escolhemos no começo do game.

As lutas online continuam presentes, podendo ser jogadas em partidas ranqueadas, privadas e em grupo, fazendo com que os participantes disputem a liderança daquele grupo de lutadores. Mas nada disso supera o bom e velho “cara a cara”. Jogar com amigos em multiplayer local é muito mais divertido. E não tem lag.

Equalizando meus ouvidos

O aspecto que mais tem chamado atenção diz respeito à dublagem do game. Mais uma vez, decidiram chamar um artista famoso para trazer sua voz para um game de peso. Em Mortal Kombat X, escolheram a cantora Pitty para dublar a personagem Cassie Cage, Bem, sobre a dublagem no geral, tenho a dizer que ela me agradou. Não é a melhor, mas também não é ruim. Claro que algumas vozes não combinam com seus personagens, fazendo-os soar estranhos, mas são poucos casos, na minha opinião.

Já sobre a dublagem da cantora, é difícil dizer que não gostei. Admito que suas falas em algumas cenas de lutas são péssimas, e ela fala muito rápido, dificultando o entendimento. Sem contar as péssimas tiradas. Mas acredito que isso seja efeito de uma tradução que não foi tão bem feita. É claro que Pitty tem lá seus momentos de insucesso, com atuação fraca para a situação em que a personagem que dubla está passando. Mas não se pode culpar ela por todos os efeitos da dublagem em português brasileiro. No fim das contas, Pitty faz um trabalho muito melhor do que Roger, em Battlefield Hardline.

Considerações finais

Da parte técnica, só tenho elogios a fazer. Os gráficos são lindos, os personagens são mais “humanos” do que os bonecos de cera de Mortal Kombat 9, assim como os cenários possuem um nível de detalhes impressionante. A fase do templo do Lin Kuei, clã do Sub Zero, é maravilhosa e serve de ótimo exemplo para os visuais das fases. Não presenciei nenhum bug terrível. Pode ser que tenha, mas passou despercebido. A parte sonora também é muito boa. Os efeitos dos golpes são empolgantes, e a trilha sonora acompanha bem o ritmo das lutas e os cenários. Mas admito que seria fantástico poder ouvir a música tema do filme Mortal Kombat, de 1995, durante as lutas.

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Mortal Kombat X é um game fantástico, divertido e violento. Chega à nova geração com todo frescor e beleza que a série merece. Quem gosta de jogos de luta não irá se arrepender. Mais do que recomendado.

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