Review: The Order 1886

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A primeira vez que vi um trailer de The Order 1886, fiquei boquiaberto, e apenas um trailer foi o suficiente para que eu me enchesse de esperança e ansiedade. Caramba, aquele seria o jogo mais espetacular já lançado, com gráficos espetaculares e momentos de ação intensa.

Infelizmente, nem todo hype acaba se cumprindo. Sem mais delongas, vamos à analise The Order 1886.

Uma história grandiosa

Jogamos com Sir Galahad, um dos integrantes da Ordem dos Cavaleiros da Rainha, uma força de elite designada para lidar com ameças que as forças policiais comuns não dariam conta. Galahad possui a companhia de Lady Igraine, filha do Grande Chanceler e atual líder da Ordem; Sir Percival, mentor e amigo de Galahad, um dos melhores e mais antigos Cavaleiros da Ordem; e o novato Marquês de Lafayette, um francês extremamente cortejador e mulherengo, que segue em busca de seu título dentro da Ordem dos Cavaleiros.

Nos subúrbios da Londres vitoriana, coisas estranhas acontecem. Além disso, existe a Aliança Rebelde, que luta contra a Ordem dos Cavaleiros da Rainha, afirmando que eles tem muito a esconder do povo e do mundo.

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Até aqui, parece tudo muito simples, e não condiz com o fato de eu ter indicado que a história é grandiosa. Mas o fato é que o desenrolar de tudo é muito fascinante, com a ambientação muito bem trabalhada e detalhada, ajudando na imersão dentro de todo o contexto do jogo e sua história. Os personagens são intrigantes em diversos momentos, sobressaindo dentre todos o Marquês de Lafayette, disparado o personagem que mais gostei em todo o jogo.

Existem referências muito interessantes ao universo de Londres, como Jack, o Estripador e Sherlock Holmes. Há também menções e participações de figuras importantes da ciência, como Thomas Edison e Nikola Tesla.

Não existe um suspense muito grande dentro do jogo quando o assunto é o que a Ordem costuma enfrentar em seu dia-a-dia. Nos primeiros capítulos, já enfrentamos o primeiro licantropo (ser humano que se transforma em um lobisomem).

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Uau!

Não há como negar: The Order é lindo! Se não é perfeito, beira a perfeição. As expressões faciais dos personagens, os cenários exteriores e interiores, os objetos, as roupas; absolutamente tudo é lindo. Diversos momentos eu me vi apenas admirando a beleza artística do jogo.

E não para por aí. Os tiroteios também possuem sua beleza. Tenho certeza que vão se impressionar ao primeiro momento em que usarem um fuzil de termita. O show de fogos é maravilhoso e enche os olhos. A estética é muito bem trabalhada, retratando com competência as características do período em que o game se passa, buscando fazer com que até mesmo as armas mais loucas tenham um pé na verossimilhança.

Junto aos belos visuais, temos um áudio de primeira, com efeitos fantásticos e uma dublagem quase impecável. Não há o que reclamar das vozes aqui. A única ressalva fica por conta de alguns bugs que ocorrem em determinadas situações, como vozes que saem em inglês quando se joga em português brasileiro, vozes dessincronizadas e coisas do tipo. Nada muito alarmante. Destaque aqui para o Scooby Doo, digo, Orlando Drummond, que dubla o Grande Chanceler.

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Posso jogar?

O maior problema de The Order se encontra na proposta que a produtora Ready at Dawn trouxe aos jogadores: uma experiência cinematográfica. Excessivamente cinematográfico, The Order acaba tirando o controle das mãos dos jogadores, fazendo-os assistir inúmeras cutscenes. Chega a ser triste quando vemos um capítulo do jogo passar diante de nossos olhos apenas como uma grande cena de corte. Meça suas cenas de corte, parça!

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O game tem uma duração que gira em torno de dez a doze horas de campanha, mas contando com as inúmeras cutscenes. O tempo em que efetivamente jogamos corresponde a uma parcela de 30 a 35% desse tempo, estimando por alto. E para piorar as coisas, os conflitos são repetitivos, com inimigos iguais e burros pelo cenário. Não existe um mínimo de desafio nesse sentido. Bem que poderiam ter variado um pouco.

O propósito de um jogo de vídeo-game é permitir a nós que vivamos histórias que estariam apenas em nossa imaginação. Para isso temos um controle em mãos, para que tomemos parte daquilo que estamos vendo. The Order vai contra isso quando nos entrega um filme interativo (Heavy Rain e Beyond Two Souls fazem um papel muito melhor nesse sentido). No final das contas, The Order se esquece de ser um jogo.

Um tapa na cara da sociedade do hype

Como se não bastasse a decepção com Watch_Dogs, temos aqui um exclusivo de peso do PlayStation 4 que não apenas deixa um potencial monstruoso ser arruinado por uma proposta equivocada, mas que também estapeia as faces daqueles que aguardavam ansiosamente pelo game. Eu preferia, sinceramente, um game de tiro em terceira pessoa, daqueles genéricos. Que fosse uma cópia escarrada de Gears of War, da Microsoft. Gears of War é fantástico, e eu ia adorar ver as mecânicas da saga de Marcus Fênix empregadas com a temática de The Order.

Enfim, The Order 1886 é um jogo que não vale o preço que cobram. É sim um bom jogo, mas que não cumpre as expectativas criadas ao entregar um jogo que deveria concorrer em alguma categoria do Oscar. Seria uma boa época de se existirem locadoras. Pelo menos o aluguel do fim de semana faria The Order valer a pena.

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Jamais paguem mais de setenta reais em The Order 1886. Encontrem uma turma de amigos e dividam o preço total do jogo. É uma alternativa válida, até porque o game não oferece motivos para que o revisitemos.

Bem, é isso. Nos vemos no próximo texto. Grande abraço!

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